17 de janeiro de 2015

Rodrigo Velloso fala sobre homenagem a Bethânia em Santo Amaro



A tradicional festa de Nossa Senhora da Purificação, realizada há mais de 400 anos em Santo Amaro, será especial em 2015. 

Celebrada entre 23 de janeiro e 2 de fevereiro, o evento contará com um show gratuito de Maria Bethânia, que celebra 50 anos de carreira em sua cidade natal, além de apresentações de nomes como Léo Santana, Harmonia do Samba e Tyrone Cigano. 


O ano marca também os 80 anos de Rodrigo Velloso, irmão de Bethânia e Caetano Veloso e atual secretário de cultura do município. Rodrigo concedeu entrevista ao Bahia Notícias e contou detalhes sobre a festa da padroeira e também de como vai comemorar suas oito décadas de vida.

Também falou sobre como será a homenagem para sua irmã, além de anunciar obras de requalificação de diversos espaços culturais de Santo Amaro, entre eles a área onde acontece o Bembé do Mercado. 


Quando vai ser celebrada a festa de Nossa Senhora da Purificação este ano e como ela se consolidou?

Em 2015, será de 23 de janeiro a 2 de fevereiro. Já tem mais de 400 anos a festa, ela acontece desde que me entendo por gente. É uma festa tradicional da cidade, mas tinha outra proporção, era pequena e foi crescendo. Quem puxou muito isso foi a lavagem, porque começou com os meninos, 

Caetano e Bethânia, que começaram a vir. A presença deles desperta interesse no Brasil inteiro. Mas hoje em dia nem depende mais do nome deles. A festa hoje em dia é grande porque ficou grande. Ela se consolidou. Tudo começa dia 23 com a novena, depois disso começam as atrações na praça da Matriz.

Só interrompe no domingo da Lavagem da Purificação, no dia 25. Depois segue até o dia 1º de fevereiro. No dia 2 acontece a procissão e queima de fogos de artifício.


Qual é a grade deste ano?

O nome confirmado mesmo é o de Bethânia. Foi uma discussão tentando acertar. Mesmo a cidade pobre, sem dinheiro, mas a gente conseguiu. Por muito tempo minha mãe ficou muito à frente da festa. 

Ela sempre conseguiu ou Caetano ou Bethania, com cachê simbólico. Eles não cobravam o cachê e se comprometiam com ela de pagar a orquestra pra tocar nas novenas, a orquestra sinfônica. Esse ano a gente conseguiu mais uma vez, Bethânia vai fazer a mesma coisa. 

Não vai cobrar o cachê e esse dinheiro a prefeitura faz um cheque nominal para a igreja, pra pagar os músicos. Mas toda despesa de palco, músico, a gente está assumindo. Mas com o cachê dela simbólico já foi uma grande ajuda. Ela faz 50 anos de carreira, a gente está há um tempão, desde abril, vendo agenda. Mas deu certo.

No dia 1 de fevereiro ela se apresenta. Outros nomes que negociamos foram Harmonia do Samba, Tyrone Cigano, Jamz, Alavontê e Léo Santana. Os outros nomes ainda não podemos divulgar, mas contará também com muitos artistas locais.


Maria Bethânia é presença confirmada na festa em Santo Amaro / Foto: Divulgação A festa sempre tem um tema, qual é o deste ano?

E o tema “A prata da casa vale ouro”. A gente pretende valorizar os artistas da terra. Sempre sonhei, neste tempo em que estou como secretário, de dar prestigio à prata da casa. Nós temos um grupo aqui em Santo Amaro muito bom, de músicos e cantores.

Não é que eles não participassem, mas eles nunca estiveram no palco principal. E esse ano a gente conseguiu trazer esse pessoal, que antes ficava em um palco secundário. Nomes como Eduardo Alves, Lívia, Carol, Marcel Fiúza, Cal Soares, Maraisa Fernandes, Silvia Milena, Coisa de Pele. Este é o momento também para mostrar todas as manifestações culturais que tem em Santo Amaro. 

A gente tem manifestações como Nego fugido, a Burrinha, bumba-meu-boi, vários sambas de roda, maculelê, capoeira, tudo isso a gente insere na festa. Além do palco principal, vai ter as manifestações populares na Praça da Purificação e um segundo palco fica no fundo da igreja, para agregar o pessoal jovem de Santo Amaro.

Maria Bethânia completa 50 anos de carreira e faz uma turnê comemorativa, é este show que ela vai apresentar na festa?

Esse show que ela vai apresentar em Santo Amaro é o “Cartas de Amor”, não é o de 50 anos. A gente queria fazer uma homenagem, mas ponderamos com o prefeito que comigo como secretario, não seria legal colocar minha irmã, encher a cidade de retrato, ela não ia permitir. Então a gente vai de qualquer forma homenagear, mas no palco, com os artistas falando da data. 

Na verdade o show que ela está trazendo é um show montado, não é o novo que ela estreou agora no Rio de Janeiro. No fim de semana ela também tem pauta em São Paulo, então provavelmente ela não quis quebrar esse contrato de lá. Então ela tá trazendo o penúltimo show, com toda banda. 

Embora não seja especificamente o show comemorativo que ela está rodando dos 50 anos, para a gente será um show comemorativo dos 50 anos. Vai ser uma coisa sutil e mais espontânea a homenagem. Mas nada impede de no show dela aparecerem, outros artistas, amigos dela, amigos da família. 

A gente não tem isso confirmado, mas geralmente isso acontece quando ela se apresenta em Santo Amaro. A gente está sempre hospedando quem chega, no tempo de minha mãe ela não abria mão, e todo mundo gostava de ir lá, a gente sempre fazia uma comidinha. E a gente quer continuar, não quer que isso acabe, tanto que as baianas da lavagem esse ano vão sair ainda da casa de minha mãe, como sempre aconteceu. 

As baianas me procuraram e eu disse que sai sim, a gente abre a casa e tudo acontece como a tradição.


Bethânia confirmou a presença. Caetano também vai se apresentar?

Não, Caetano está com a agenda lotada. É mais questão de pauta. Ele está fazendo o Festival de Verão em Salvador, mas imediatamente ele volta, porque tem agenda no final de janeiro. Ele participou há pouco tempo do Terno de Reis que a gente criou. Foi bacana que Jorge [Portugal], que agora é secretário de cultura, eu convidei ele para ser rei, e ele se vestiu e desfilou com a gente. 


Foi maravilhoso. E o Reis esse ano atrasou muito para a gente preparar as coisas. Caetano quando chegou, Mabel me perguntou: ‘não vai fazer um jantar não?’, aí eu falei, ‘olha Mabel, eu não tenho cabeça pra fazer, Caetano coma na rua’. Eu nem conversei com ele sobre a festa da padroeira.

Quantas pessoas participam da festa? A cidade já está preparada, com hotelaria e transporte?

Em torno de 20 mil pessoas por dia, e no dia da lavagem chega a dobrar. As pessoas reservam os hotéis com antecedência, alugam casas. Agora mesmo com a confirmação de Bethânia está tudo lotado no centro. O pessoal não para de ligar pra saber se está confirmado. Vem gente do Brasil todo. 

E esse ano conciliamos a data da apresentação dela de modo que ela possa participar da procissão, no dia seguinte. Ela sempre participa, acompanha a procissão, ela segura o andor de Nossa Senhora da Purificação, ela é quem prepara a charola de Santa Bárbara, ela que ornamenta. Então a gente conciliou com a agenda dela. 

A cidade estará lotada, mas sempre tem lugar. O problema é que quem chega em cima da hora tem que pagar muito mais pela hospedagem. Os hotéis do miolo da cidade não têm mais vagas, agora tem os hotéis fazenda e resorts da região. Com relação ao transporte, funciona normalmente. Têm muitos ônibus. 

E Santo Amaro tem a sorte de ser situada a uma hora de viagem de Salvador. É tudo pertinho, tanto que no São João a gente está explorando isso. O São João de Santo Amaro além de ser bom é pertinho, é ali.

Você falou da participação de Jorge Portugal na Festa de Reis, ele que nasceu em Santo Amaro. Como você vê esse momento para a cultura baiana com um secretário de cultura da cidade e ainda Juca Ferreira, também baiano, no Ministério da Cultura?

Eu estou muito animado e feliz. Já pensando em ir a Brasília conversar com Juca, porque ele já foi ministro e nós temos um laço afetivo muito legal. E Jorge é vizinho da gente em Santo Amaro, compadre de minha mãe, então é uma pessoa muito nossa, mas a gente sabe da responsabilidade dele não só com Santo Amaro, mas com a Bahia. Foi engraçado quando ele aceitou ser rei. 

A gente resolveu, em vez dele ir lá para a concentração, fomos todos lá pra casa e eu avisei ao público que estava aguardando a chegada ansioso: ‘olha, gente, Jorge vai chegar, mas não o secretário. Ele vai chegar rei e rei é mais difícil da gente chegar perto’ (risos). Ele vem pra festa, ele não perde, a vida inteira ele vem. 

E Juca, eu queria que fosse até para o terno, mas ele estava arrumando o gabinete dele. E ele é uma pessoa muito bacana também. Menina, eu tenho uma sorte. E aliás, a sorte também da cidade é que conheço esse povo todo. Quando Lula foi candidato a presidente pela primeira vez, nos juntamos e [Albino] Rubim, [ex-secretário de cultura] fazia parte dessa convenção. Mas, mesmo assim, é muito difícil fazer cultura no Brasil.


Este ano, além dos 50 anos de carreira de Bethânia, tem o seu aniversário de 80 anos, no dia 26 de janeiro. Vai ter uma homenagem durante a festa?

Eu estou correndo disso (risos). Eu faço 80 anos, tem que comemorar, né? Engraçado que a gente resolveu fazer assim, vou fazer festa montada, mas não de frescura. Eu quero fazer um boteco. Então a gente botou umas canequinhas ‘Boteco de Rodrigo no quintal de Dona Canô’. Mas vai ser uma coisa íntima, à vontade, no dia mesmo, na segunda-feira. 

Não sei como a gente vai administrar isso com a festa da padroeira. Eu quero ficar inteiro pra tomar todas no dia. O que está todo mundo estranhando é porque eu não quero missa no meu aniversário. Eu acho q eu sou... Não diria ateu, mas não pode ter missa porque é uma coisa que não tem a ver.

 A gente em cima do palco faz uma prece com os orixás e todos os santos, mas não tem missa. Minha mãe era super religiosa, era católica, mas também ligada ao candomblé, por causa de Mãe Menininha, de Caetano e Bethânia. A família hoje é misturada, a maior parte de candomblé.

Falando de candomblé, já estão organizando o Bembé do Mercado deste ano? Tem novidades?

Lógico, a gente leva o ano pensando nisso. Tem um caderno que saiu agora no PAC Cidades Históricas, depois do tombamento de Santo Amaro pelo IPHAN. Aí tem a salvaguarda, não pode haver modificações que abalem o original, assim como acontece na Festa da Boa Morte. Então para o Bembé vai ser a mesma coisa. 

Vai acontecer o ritual tradicional e quem quiser fazer algo à parte, faz fora. Então há três anos a gente está fazendo o candomblé durante três dias, e só faz palco nos dias que não tem candomblé. Porque antigamente concorria muito o palco com a celebração religiosa. 

O ambiente ficava superlotado, mas 80% não era de interesse do candomblé. E agora a salvaguarda diz que não pode haver essa concorrência. Esse ano a gente está tentando conciliar isso. Vamos conversar com o Ipac para ver como a gente vai organizar isso. 

Estamos pensando em deixar o Bembé acontecer do dia 13 [de maio] ao domingo (17), e a gente celebra em um palco fora, num dia só no final. Fazemos um pacto com cantores que tem a ver com o candomblé. 

Agora, não deixa de ter dentro do Bembé manifestações culturais locais de capoeira, maculelê, samba de roda, tudo tradicional, com o pessoal de dentro do candomblé. E os pais de santo reclamam porque não querem que tenha essa parte profana, só que tem os donos de barraca, que montam as barracas há não sei quantos anos. 

A gente já está vendo uma forma pra conciliar. A ideia é que libere o ambiente do Bembé, porque na verdade o bem foi registrado.



O que esse registro representa para a cidade?

Agora vai ter a reforma do mercado, dentro do PAC das Cidades Históricas, onde Santo Amaro foi contemplada com oito projetos. O mercado é um deles. O prefeito conseguiu ampliar a verba do mercado e fez um projeto maior. Então vai preservar a estrutura que tem hoje e colocar algo de moderno nele. 

A obra já foi aprovada pelo IPHAN. Você tem um ambiente antigo, mas pra ampliar você coloca o moderno, mas deixando a estrutura. E esse espaço do Bembé ele vai ser preservado de uma forma que ele fique ali pra sempre. Toda aquela região, margem do rio, mercado, feira livre, tudo vai ser requalificado. 

O orçamento inicial foi de R$ 4 milhões, depois incluindo saneamento e limpeza de rua dobrou. São 18 meses de construção, prevista para começar em março. Só que a gente já está sentindo que ficou atropelado por causa da burocracia, mas vai começar no primeiro semestre desse ano. 

Não só o mercado, mas a reforma da Igreja da Purificação, do Rosário, do Amparo, além do prédio da UFRB, do Arquivo Público e da Academia de Letras de Santo Amaro. No próximo ano vamos ter grandes inaugurações lá. Bahia Noticias

5 comentários:

  1. Parabéns, Rodrigo! Sou seu admirador. Por mim VC seria ministro da cultura.

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  2. Santo Amaro conta com secretários da cultura municipal e estadual, juntos na luta para a divulgação da influências folclóricas como protagonistas, e não, mero coadjuvante nos movimentos folclóricos do Recôncavo, a exemplo do Samba de Roda, Capoeira, Maculelê, Lindro Amor e outros. Jogando Santo Amaro para o escanteio, e atribuindo a outros municípios, o feito deste município.

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  3. de olho na cidade18/01/15 08:52

    Gostaria de saber sobre a limpeza do rio Subaé, porque me recordo que veio uma verba de 300,000,00 mil reais pra dragagem do rio não tivemos explicação até hoje onde foi parar. Valorizar os Santo Amarense é isso respeito e compromisso.

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  4. Valorizar os Santo Amarenses? quase que não se vê assim em Santo Amaro, a muito tempo que estão sendo expulsos deste município, devidos as barbaridades de absurdos que são praticados.

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  5. Muito cuidado com a preservação da HISTÓRIA DE SANTO AMARO, pois exitem um bando de historiadores mau intencionado, denegrindo, desviando com inverdade, o conteúdo da história deste município, é preciso muita vigilância, muita atenção.

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