25 de agosto de 2015

Corrupção paralisa obras no Estaleiro e provoca demissões em Maragogipe

Outra obra gigantesca, também ligada à Petrobras, está parada há seis meses. O estaleiro Enseada que fica em Maragogipe localizado no Recôncavo Baiano, seria um dos fornecedores de navios-sondas para a exploração do pré-sal. Milhares de pessoas perderam o emprego.
Dois anos e meio de trabalho para erguer uma estrutura que já consumiu R$ 2,5 bilhões. O estaleiro é construído por quatro empresas: uma japonesa, a Kawasaki, e as brasileiras Odebrechet, OAS e UTC.

Como as três brasileiras estão sendo investigadas na Operação Lava Jato, bancos e o fundo da marinha mercante suspenderam o financiamento faltando menos de 20% para terminar a obra. O píer de atracação está pronto. O guindaste, que custou R$ 200 milhões, já deveria estar funcionando.
A construção do dique, onde os cascos dos navios-sondas serão fabricados, está bem adiantada. Quinhentas toneladas de cimento que seriam utilizadas no dique já se perderam nos silos de armazenagem. A validade venceu. O espaço fervilhava de gente no auge da construção. Eram sete mil pessoas trabalhando. Mas 6,5 mil foram demitidas.
Hoje, só o pessoal que faz a manutenção e segurança dos equipamentos permanece no emprego. Entre os que ficaram, 80 operadores que foram treinados no Japão por conta do estaleiro. Joilson está preocupado com o futuro. Avanir já não sabe o que fazer. A família inteira foi demitida. "Eu, meu marido, minha irmã, filho, sobrinho e dois cunhados”, contou a copeira Avanir Silva Melo. Cristina e Ivan tiveram de interromper a reforma da casa. "Não deu para continuar, até porque não poderíamos gastar mais. Porque iríamos sobreviver de quê?”, lamentou a soldadora Cristina Sacramento.
A grande maioria dos demitidos mora em vilarejos e cidades que ficam perto do estaleiro. Muitos foram embora, procurar trabalho em outros estados. Era tanta a confiança no movimento do estaleiro que os empresários da região investiram alto em seus negócios. Um hotel, por exemplo, estaria funcionando hoje com o dobro da quantidade de quartos. Mas a obra de ampliação parou, porque depois de demitidos os hóspedes foram embora.
É a mesma situação de uma pousada. Pousadas, hotéis, restaurantes e até postos de gasolina foram fechados. E, segundo a direção do estaleiro, não há previsão de retomada das obras. O consórcio responsável pela construção do estaleiro declarou que aguarda o pagamento de R$ 1 bilhão pelas obras que já estão prontas. E a liberação de mais R$ 500 milhões para a conclusão do projeto. (INFOSAJ)

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