7 de março de 2016

Advogado desiste de defender criminosos após assalto: 'Há muita defesa aos bandidos'

Cliente do restaurante Pedra da Sereia, local onde um vigilante foi morto durante um assalto no final da noite deste domingo (6), o advogado criminalista Jardel Barreto conta ter vivido uma cena de terror que o fez reavaliar a profissão.
“A gente sente que a violência está aumentando muito e quando você sente na pele você reavalia a sua atuação profissional. A gente vê que hoje em dia a polícia está refém, com vários problemas estruturais, e também sem respaldo para agir. Enquanto isso, há uma defesa exacerbada para os bandidos”, afirmou o advogado, nesta segunda-feira (7), após registrar ocorrência na 7ª Delegacia (Rio Vermelho).

O advogado conta que a ação foi realizada por três bandidos com apoio de um quarto criminoso que ficou no carro. Eles estariam fortemente armados, segundo o criminalista. “Um tinha uma espingarda calibre 12 e outro uma pistola 9mm, o outro eu não vi o que era, mas estava armado também”, recorda. Segundo Jardel, daqui pra frente não vai mais trabalhar para defender criminosos. Ele diz que vai optar por direito do consumidor e administrativo.
Morte de vigilante
Um casal formado por uma baiana e um americano que moram no edifício em que trabalhava o vigilante José Souza dos Santos, 56 anos, estava no restaurante. A cliente, que não quis se identificar, com medo, narrou tudo.

“Eu só vi que ele (José) entrou no estabelecimento já correndo, não sei se foi empurrado. Foi quando houve o primeiro disparo e ele caiu. Eles continuaram roubando e ao sair o que estava com a arma mais longa deu outro tiro nele, já caído. Foi algo aterrorizante. Muito triste mesmo”, afirmou.
Ela estava próxima da entrada, de frente para o acesso ao restaurante. Frequentadores assíduos do local, os dois lembram que o estabelecimento estava vazio naquele domingo, com apenas quatro mesas ocupadas.
O advogado conta que estava na área interna do restaurante e não viu a hora que o vigilante foi morto, mas conta ter ouvido quatro disparos. Segundo ouviu de testemunhas, os bandidos usavam um veículo Volkswagen Voyage de cor preta. Além dos pertences, os bandidos roubaram documentos de sua namorada e dele, inclusive a carteira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A equipe do restaurante informou para os clientes que o estabelecimento possui seguro.
Momentos de terror
O casal diz que decidiu ir até o restaurante por estar perto de casa e por já ter visto segurança no estabelecimento em outro momento. “O que eles diziam era para colocar a mão na mesa”, conta ele. Deles, foram levados alianças, celulares e relógio. “Eles me olharam e gritaram perguntando se eu era policial, fiquei calado”, conta o americano.

A mesma pergunta foi feita ao advogado. “Eles estavam desconfiados, um veio para mim com a pistola me dizendo ‘você está muito estranho’, aí levantei a camisa para mostrar que não tinha nada”, lembra Jardel.
“Me xingaram e na outra mesa deram um tapa e ficaram perguntando se o rapaz era gay”, detalhou a baiana. Segundo os clientes ouvidos pelo CORREIO, os bandidos foram agressivos.
Segundo os clientes, o atendimento médico demorou de chegar. A namorada do advogado, que é médica, viu que José ainda tinha sinais vitais. Eles insistiram no contato com o Samu, mas contam que houve demora no atendimento telefônico e tiveram dificuldade de reportar a urgência.
A demora no atendimento do Samu foi relatada pela musicista que se apresentava no restaurante. "Fui tocar no Rio Vermelho e durante a tocada, homens fortemente armados entraram no restaurante e assaltaram a todos que ali estavam", disse Marília Oliveira, que ainda conta do disparo que atingiu José.
"Tinha uma médica no bar, e ela viu que ele ainda tinha vida. Tentamos ligar para o Samu, e depois de muito tempo conseguimos. Porém, eles demoraram cerca de 40 minutos pra chegar e o senhor não resistiu", completou.

No Facebook, um outro cliente e a artista que se apresentava no restaurante na hora do assalto se posicionaram. "Levaram todos os pertences da gente. Infelizmente fez uma vítima fatal. Pior de tudo que o Samu até o momento não chegou", escreveu o relações públicas Nell Araujo. "Eu e meus amigos estamos bem, só levaram meu celular. Foi cena de filme, todos fortemente armados", relatou em seu perfil no Facebook. (Correio)

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